Mi Buenos Aires querido 2009

Por Alexandra Aranovich

Ganhei num sorteio, que já tinha falado em junho aqui no blog, uma viagem pra Buenos Aires com acompanhante. O prêmio incluia passagem pela Gol, translado e 3 noites no Hotel Esplendor no Centro, tudo patrocinado pela Ouro e Prata e Body One. Incluia também minha vontade louca de experimentar lugares e experências novas por lá. Afinal, fui determinada a não repetir passeios ou restaurantes que já tinha ido. É claro que faltaram dias pra conhecer tudo que levei na minha listinha e já voltei sonhando com “Buenos Aires o Retorno”. As compras e o Free Shop são um capítulo à parte, elas merecem um post no blog só pra elas. Mulheres… tá bom demais comprar lá!

3 descobertas memoráveis: os restaurantes El Obrero e Patagônia Sur, no mesmo dia, o que acabou sendo algo antagônico, e a uma aula de Milonga.
El Obrero

Quando os Rolling Stones fizeram um show em Buenos Aires, Mick Jagger falou:
– Me levem a um lugar onde eu possa comer comida argentina!
E o levaram ao turístico Puerto Madero. Revoltado, o stones retrucou:
– Não, esses restaurantes são iguais aos de qualquer outro lugar do mundo. Quero comer num lugar tipicamente porteño!!E levaram Mick para El obrero.
Um restaurante muuuuito popular, tanto por ser simples, sem refrescuras, como também por ser cheio de locais, famílias e alguns turistas como eu. Já atraiu o Mick Jagger e o Bono. Fica no bairro de La Boca onde os trabalhadores do porto costumavam comer (daí vem o nome: el obrero, o operário). Tinha lido muita coisa a respeito e estava bem ansiosa por conhecer este clássico argentino.
Pra chegar lá só de taxi e com um mapinha do Google Map na mão (sério).Fomos na sexta-feira e chegamos perto das 14 horas. A rua estava deserta mas o restaurante lotado com uma pequena fila de espera. A maioria dos clientes eram homens, muitos engravatados. A decoração é toda de futebol ( também, é na mesma região da Bombonera) e no meio de tanta confusão encontrei a flâmula do Grêmio (tá, a do Inter também estava lá mas não tão visível).O cardápio era gigante, pratos beeem servidos e tinha de tudo: pescados, carnes e massas. Tomamos três Quilmes, uma entrada de rabas (lulas empanadas), prato principal uma corvina com batatas espanholas e de sobremesa um flan com doce de leite. E ainda fiquei de olho nos pratos dos vizinhos que pareciam deliciosos. A conta: 50 reais o casal.Estava realizada até …. conhecer o banheiro. Já tinha percebido que o lugar era meio sujinho, mas nunca tinha entrado num banheiro tão podre. Primeiro pq ficava ao lado da cozinha e de frente para um lugar indescritível (na foto abaixo) onde ficavam expostos os verdes das saladas picados e um balde horroso com as rabas cruas pra fritar (sim, as que eu e todo o restaurante pediram de entrada).Fiquei chocada, mas sim, eu voltaria. Olha aí a minha cara de felicidade chegando no lugar. Não só voltaria como também indicaria para amigos (principalmente homens). É um achado. Só nunca pediria salada e nada que não cozinhe em fogo muito alto.

Agustín R. Caffarena 64 -Tel: 4362-9912-La Boca. Meio-dia e noite, fecha aos domingos. Não aceita cartão.

Patâgonia Sur
No mesmo dia que conhecemos o El Obrero, fomos à noite neste restaurante sofisticado do chef famoso Francis Mallmann também no bairro La Boca, bem perto da parte turística. O que eu sabia: que o cara era famoso, que era caro e que ele tinha um restaurante em Mendoza que minha prima amou. Mas, como o caro de Buenos Aires nunca é tão caro isso não era um empecilho.Assim que chegamos amamos, o ambiente é lindo e romântico. Só estranhamos bastante pois estava beeeem vazio (só nós e um outro casal falando inglês). Fomos muito bem atendidos. O choque aconteceu quando abri o cardápio: os pratos não tinham preços. Olhei melhor e vi que bem abaixo, escondido, tinha um valor fixo de menu…. glupt: 315pesos, mais ou menos 160 por pessoa sem a bebida ( e olha que os vinhos eram muuuito caros também).
Fiquei nervosa, mas não dava pra desistir. Relaxei só quando o delicioso e quentinho cestinho de pães chegou.As entradas: “Centollas fueguina” , um meio termo entre caranguejo e lagosta (foi o meu melhor prato da viagem e bastava ele em toda a janta!) e o outro eu nem lembro o que era de tão bom que era o meu!
Os pratos principais: Ojo de Bife com chimuchurri e papas patagonia e Cordeiro ” siete horas” com purê, rúcula e amêndoas
As sobremesas: um souflê de chocolate e um típico flan caseiro com doce de leite.
O vinho e o copo diferente: delicioso, mas podia estar um pouco mais geladinho na opinião de quem não entende nada mas aprecia um bom vinho sempre.
Os pratos eram tão gigantes que apreciar a sobremesa foi praticamente impossível. Tem que ter muita fome pra comer tudo e ainda estar disposto a gastar tanto. Enfim, o saldo foi alto mas positivo. Jantamos muito bem, o tal do Francis Mallmann … (olha ele aí pessoalmente) …é mesmo super famoso, assina jantares na Casa Rosada, já teve restaurante em Nova Iorque, ajudou a construir o cardápio do Figueira Rubayat de SP e tem hoje três restaurantes: o Patagônia Sur em Buenos Aires, o Restaurant 1884 , em Mendoza, e um hotel-restaurante no Uruguai, o Garzon. Sua especialidade é o “fogo alto” que pode ser visto e testado, em suas receitas, no livro que acaba de lançar este ano nos EUA: Seven Fires. Dá pra ler mais sobre ele na reportagem da Cris Berger na revista Estilo do Zaffari: http://www.crisberger.com/argentina.html

Patagônia Sur. Rocha 801 esq. Pedro de Mendoza, La Boca Tel: 4303-5917/18. Quinta a sábado, meio-
dia e noite. Domingo só ao meio-dia.
A aula de Milonga
Depois de exagerar na comida, resolvi fazer um programa alternativo. Preciso admitir que meu marido foi totalmente contra esta aula mas aos cinco minutos de dança já estava adorando. Escolhi a aula de milonga da confeitaria La Ideal . A aula é no andar de cima, num salão de baile e é bem baratinha: 25 pesos por pessoa por 2 horas de aula. Tinha pouca gente: nós, um casal belga e outro que não identifiquei se era argentino ou uruguaio. O professor era gordinho e muito engraçado e a professora… bem, deixo para os homens comentarem.
Uma dica: vá de saltinho dançar ou uma sapatilha. Eu fui de bota e tava mais para uma dança gauchesca.Gostei tanto que para próxima viagem já descobri um lugar ainda mais descontraído pra fazer esta aula em Palermo Soho: La Viruta. No site de ambos www.lavirutatango.com/ e www.confiteriaideal.com tem o horário das aulas.Foi o programa mais divertido da viagem!
No próximo post comento mais da viagem: o hotel, o Miranda, o Malba, as compras e os lugares que, não me aguentei, e acabei repetindo: Las Lilas, Tortoni e Gran Bar Danzon!

  • Compartilhe
Alexandra Aranovich
Alexandra Aranovich
A autora dos textos e fotos do blog é publicitária e faminta por viagens e experiências gastronômicas. Além do Café Viagem, é colunista do Caderno Vida do jornal Zero Hora, autora do Guia Essencial Gramado e Canela da Pulp e do blog Destemperadinhos. Mora em Porto Alegre, mas vive por aí com o coração no mundo, sonhando com o próximo destino.
05
out
09
Deixe o seu comentário!
  1. Ana Paula28/04/2010 - 11:57
  2. Família Tró-ló-ló02/11/2010 - 13:10